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«Não Deixeis Cair Em Tentação»: entrevista a Anthony Bajon - melhor ator no Festival de Berlim

Com o Urso de Prata de melhor ator entregue ao jovem Anthony Bajon, La Prière (Não Deixeis Cair Em Tentação) chega agora aos cinemas portugueses depois de uma passagem pela Festa do Cinema Francês.

O jovem Bajon reconhece a sua inexperiência na arte de atuar, mas falou-nos das suas ambições, do trabalho que foi exigido para colaborar com Cédric Kahn e também dos seus projetos futuros, onde vai contracenar com atores como Guillaume Canet, Emmanuelle Béart, Mathieu Amalric.

Aqui fica a nossa entrevista ao jovem que em Não Deixeis Cair Em Tentação faz o papel de um toxicómano que encontra na oração a forma de se livrar de um mau hábito (drogas) e ganha outro (o traje religioso).

 

É a primeira vez que está em Portugal?

Em Portugal, não, mas em Lisboa sim.

E que te parece Lisboa?

Ótima, só cheguei ontem à noite mas estou a gostar, pelas primeiras impressões (risos)

Como se processou a sua chegada ao filme, houve um casting?

Falaram-me que ia haver um casting para o novo filme de Cedric Kahn, não sabia para que papel e existiam muitos. Por isso passamos todos pelo casting sem saber para que papel seria. Passei uma vez, duas, três, quatro e o Cedric telefonou-me e disse para eu ir ao escritório dele. Aí disse-me que se eu quisesse, tinham um papel para mim no filme. Li o papel e aceitei..

E como se preparou para esse papel, pois é um papel que exige muito fisicamente. Falaste com toxicómanos?

O Cédric não queria isso, pois não desejava que copiassemos ou nos colassemos à sua maneira de ser. Ele disse mesmo para não investigarmos, disse para não fazermos nada. Por isso, a única preparação que tive foi fisica, ia correr todos dias duas horas. Eu sabia que ia ser intenso.

E o Cédric é alguém que nas filmagens diz claramente o que pretende de ti ou deixa-te preparar e improvisar?

Ele sabe o que quer. Por exemplo, não podemos mudar as palavras do guião. Ele deixa-nos interpretar, mas faz apontamentos, para darmos uma nova cor à nossa interpretação da cena, diz-nos os sentimentos da personagem na cena em questão e vai reajustando até conseguir o que quer. mas as mesmo tempo deixa-nos livres até lá chegar.

E já agora, é religioso?

Sim, sou católico.

E isso ajudou-o a compreender melhor o que tinha de fazer no filme?

Sim. Eu não conhecia bem este aspeto da religião - a da ajuda através da fé e oração a curar dependências, que permite ajudar os toxicômanos em espaços longe de tudo. Eu tenho consciência que a religião pode ser prolífica na ajuda às pessoas e isso para mim foi logo um passo importante para compreender a personagem e porque ele se dirige até aquele local.

Ganhou um prémio no Festival de Berlim, qual foi a sensação?

É formidável, foi excitante. Mas acima de tudo é ótimo para o filme, pois recompensa o trabalho de toda a equipa, dos atores, do realizador, dos técnicos, da produtora. Em termos pessoais permite dar um grande pontapé de saída na minha carreira.

Começou no teatro não, em 2009?

Sim, na escola, mas muito pouco, passadas três semanas saí. Era muito mau. (risos). Não gostava, a minha verdadeira filosofia de aprendizagem é nas filmagens. Quero aprender a ser ator ao pé de grandes realizadores e atores que fazem bons filmes. Penso que a aprendizagem passa por aí. É o que quero para mim. Evito ir a escola (de atores), vou aos castings para poder observar no set de filmagens e observar os outros

Há cenas no filme que parecem bastante difíceis de executar, como a cena de sexo, que é bastante animalesca. Como se preparou para essa cena, por exemplo?

Sim, foi duro, mas como não víamos a face um do outro foi uma cena em modo de contenção...

Após o prémio em Berlim sentiu mais visibilidade, sentiu mais atenção dos cineastas em si?

Não sei se foi só isso, mas sei que depois disso tive a chance de ser muito mais solicitado em termos de trabalho. Depois da estreia do filme e do Urso fui mais requisitado, mas acho que foi mais pela fita que pelo prémio. Sim, é verdade, é um prémio, mas por si só não quer dizer nada. É algo entregue de forma subjetiva. Mas sim, reconheço que para mim é algo enorme, pois estou a começar a carreira. Mas resumindo sim, tenho muito mais realizadores a falarem com o meu agente e isso é bom porque tenho a hipótese de poder escolher os projetos em que quero participar.

Tem um novo projeto, Au Nom de la Terre, onde trabalha com o Guillaume Canet e o Edouard Bergeon. Já o filmou?

Já filmamos uma das partes, falta a segunda que será filmada brevemente.

Podes falar um pouco do teu papel?

Sim, eu sou o filho do Guillaume Canet no filme. Na verdade é um história verdadeira baseada num documentário do Edouard Bergeon - Les Fils de la terre (2011) - cujo pai, agricultor, se suicidou depois de perder os seus animais e não ter mais dinheiro. Infelizmente é uma história muito recorrente em inúmeras quintas. (...) É também uma história de amor entre pai e filho. É excelente para mim um projeto como este.

Também tem um projeto num filme (Merveilles à Montfermeil) que marca a estreia na realização de Jeanne Balibar?

Sim, é uma comédia dramática com um toque político. Tem a Emmanuelle Béart,o Mathieu Amalric. Passa-se numa câmara municipal, onde os refugiados têm de tratar de muita papelada para permanecer em França.

 

Aprendes muito ao trabalhar com nomes como o Canet e o Amalric?

Sim, claro, são grandes atores e verdadeiros monstros do trabalho. A Balibar também, é incrível. É excelente estar no meio de atores com grande experiência, especialmente para um jovem como eu.

E como vê o cinema francês atualmente?

Gosto muito. Há grandes filmes de autor a serem feitos, as comédias, etc. Penso que o cinema francês vai muito melhor do que aquilo que as pessoas dizem.

Tu és jovens, mas vês-te um dia a trabalhar em Hollywood ou algo parecido?

Gostaria muito de trabalhar nos EUA, mas é preciso esperar o tempo para isso, etapa a etapa. Não vale a pena querer ir não importa o quê. Curiosamente, quando lá fui recentemente a um Festival houve um agente que propôs me representar e até me ajudar a instalar-me no país, mas recusei. É muito cedo. Espero um dia fazer como o Jean Dujardin e o Omar Sy, mas para já é muito cedo. Ainda não fiz nada no cinema francês, por isso de momento nem penso nisso.

Pensa trabalhar apenas como ator ou um dia ambicionas ser um realizador?

É interessante a questão, pois estou em vias de filmar o meu primeiro filme, uma curta-metragem que vou rodar este ano. Amaria experimentar a realização e por isso decidi fazer o meu primeiro filme.

E vai apenas realizar ou atuar nesse filme?

Não sei, ainda não tomei essa decisão. Em todo o caso, eu escrevi e vou realizar a curta. Há um coautor, que vai atuar no filme também, mas eu ainda não sei. Mas a ideia é mesmo realizar, de dirigir os atores. É uma história de amor no trabalho, duas pessoas que nada têm a ver uma com a outra e que vão descobrir um novo mundo.



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